quinta-feira, 8 de abril de 2010

ELE



Toda tua força
Vem de um lugar comum

A que te inspira

Que te alegra

Que te faz sorrir

Que te deixa triste

Que te põe para o alto.



Que, de um salto

Te faz moleque

Te faz aprendiz

Te faz homem

Te faz mestre

Te faz meretriz.


Esta força é de um lugar

Comum a outros.


Não penses que sois únicos

Nem imagines a dor

Somente tua.


Divida com Ele

Partilhe a alegria com todos

Porque todos é Ele.


Ele é tudo.


Não seja um idiota!


(11/08/02 – 17h:05min)

domingo, 4 de abril de 2010

INTROSPECÇÃO


Sou um navegador de mares em um veleiro sem velas içadas... Sou o côncavo e o convexo, sou a razão que nega a razão... Sou a escuridão da luz, o verso no reverso da alma... Sou seu eu desconhecido, seu anônimo popular...



Sou a incógnita sem segredo, a visão cega... Sou o arremesso invertido, um cisco no olho do furacão... Sou o juízo do nada, a negação do poeta...



Eu sou a antítese serena do amor que não pousou em mim e fez moradia no colo da noite... Sou você aos quarenta e eu aos oitenta...



Sou poeira, pedra, terra, vento, água, mar do meu rebento, só não fogo de minha inquisição...



Rubens Sousa

01/09/2009 – às 14h e 45 min (escritório de casa)



Essa introspecção não define a mim mesmo, mas a pessoa que habita em mim quando escrevo. (05/04/2010 às 18h e 27 min)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NO SINGULAR

Somos iguais.
Em cada pedaço de nós
Há um que é meu
E seu.
Outro, só seu.
Particularmente
Gosto muito do meu
E, se há rima,
Que seja Orfeu.
Falamos da igualdade,
Rimada que fosse,
Falamos de nós e,
De forma velada,
Despimo-nos um pelo outro,
Um do outro,
E, se houvessem outros, Seriamos plural.
No singular, Somos um do outro.



10.09.98 às 19h e 59min

FRAGMENTO


Penso que o tempo presente Não é a matéria.

A minha matéria.

Escrevo o instante vivido,
O dia perdido,
O sonho mutilado e
Num tom vulgar
Deixo a desejar
A verdadeira poesia.

28.09.90 às 20h

LOTERIA


Houve um grande momento
Na imaginação
Que agora externo.

Passaram as novelas
As guerras
Os jornais
Do horário político
À prática política
Tudo se mistura
Num lodo só
Mas, o que me entristece
É o direito que me tomaram
De mentir sozinho.


26.10.93 às 21h e 03min

TORMENTA




Vou embora.
Qualquer lugar será uma parada.
Não serei a luz do eclipse.

Esse amor estranho
Que arde e fere
Não me deixa.
É um ato só, cadência de notas
Feito sol,
Lá, si, mi, maior e mais atento.

É isto que atormenta,
Não há tempo e, de tempo em tempo
Cai em mim feito tormenta.

Vou embora, não para Pasárgada.
Amigo do rei, não sou.
Em qualquer parada um começo.

É triste
Ser eu mesmo
Nesse eterno eclipse.


26.10.93 às 21h e 03min


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

POR SEGUNDOS


Diga a palavra que anime.
Busque extrair um sorriso.
Torne o dia leve.
Leve o possível
Nesse olhar insólito.
Não deixe por fazer.
Sonhe!

O dia não se funde
Em outro ao acaso,
Há uma lógica,
Como o gosto do beijo
Da pessoa amada.

Viva no plural
E sorria no superlativo.
O singular é teu
Assim como o corpo.

A alma, um grande mural.

Conceda!
Receba!
Doe!
Ame, ainda que por segundos.

Não seja obra inacabada.
O sol nunca se põe
Antes do fim do dia.



17.03.00 às 19h e 55min